quinta-feira, 30 de junho de 2011

Alô?

- Alô quem fala?
- Paula?
- Isso.
- Oi, aqui quem fala é a Voz da sua consciência. Tudo Bem? Estou entrando em contato para falar sobre um pacote de autoconfiança, você tem interesse?
- Claro, como é que funciona?
- Posso confirmar primeiro os seus dados?
- Pode.
- Você é a Paula que mora em São Paulo há 14 anos, é isso?
- Sim.
- Sua família está no Rio e quando você lembra dela em datas comemorativas ou em domingos o seu coração dói, certo?
- Correto.
- Você é aquela que com 22 anos decidiu largar 3 anos de economia para tentar o curso de jornalismo que nem requer diploma?
- Sim.
- E agora você tá se cagando de medo de não passar no vestibular?
- Sim.
- Ok. Olha Paula, infelizmente o nosso pacote não é adequado ao seu perfil, mas em breve entrarei em contato com novos planos, ok?
- Ah tá. Tudo bem...
- E mais uma coisa. Vê se emagrece!

Tu tu tu...

Não tô me curtindo

Sabe aqueles dias que você não é muito seu fã? Eu estou assim essa semana. Não é que eu me odeio ou estou com autoestima (sim, junto!) baixa. Na verdade a autoestima está média. Por exemplo, eu não estou no clima de colocar músicas tristes e me flagelar psicologicamente com adjetivos de baixo escalão, mas também não estou saindo por aí tendo a certeza que as pessoas me olham porque sou gatinha e não porque eu falo sozinha na rua. O que fazer? Acho que um tango argentino é sempre uma boa pedida.


sábado, 25 de junho de 2011

E a raiva do mundo, cadê?

Achou.

TPM, zero vida social, ausência dos amigos, falta de dinheiro, pais e afins. Sim, eu vou comer essa barra de chocolate inteira e ninguém tem o direito de me julgar. Hummm. Tá ótima, que alegria...
Ai que raiva, tô gorda!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Banho

17h41. Estela chegava do trabalho após um dia cheio de “pepinos” e um exaustivo tempo no trânsito. Tirava a chave da porta, colocava sua bolsa na mesinha e os sapatos na lateral do sofá. Seguia direto para cozinha, onde tirava as panelas de comida da geladeira acompanhada de suas bolachas recheadas que seguiam automaticamente para sua boca. Apenas duas ou três. Seguiu para o quarto onde tirou suas roupas e as colocou na cadeira. Avistou um espelhou e parou um instante para se observar. Não estava combinando. A calcinha era do tipo corriqueira e confortável, sem intenção de ser vista. O sutiã era chamativo e esbelto. Aumentava em 1/3 seus seios. Ao removê-lo pode vê-los como realmente eram: medianos, separados e de “personalidade própria”, concluiu. No seu todo viu uma mulher de volumes localizados em partes desproporcionais do seu corpo, detalhes que suas roupas muito bem pensadas não a deixavam perceber. Desmarcara a depilação nos últimos dois sábados, por motivos óbvios. Assim de perto não parecia tão mulher, sua maquiagem estava suada e não havia colocado brincos naquela manhã. 17h57. Precisava tomar banho. Se prometeu, então, acordar cedo todos os dias, freqüentar a academia do prédio e marcar finalmente aquela depilação. Entrou no banheiro e ligou o chuveiro, nesse momento escutou a porta da sala se abrir. Lembrou aliviada que as panelas de comida já estavam fora da geladeira. Tirou a calcinha e entrou no chuveiro.

São Paulo, 02/07/2010

terça-feira, 7 de junho de 2011

Não encontro o meu sapato

Ao amanhecer, faltando 15 minutos para 7 horas o despertador tocou. Georgiana abriu os olhos como se já previsse esse momento. Estava indiferente em relação ao dia que começava. Após um suspiro se desvencilhou das cobertas, pegou uma presilha e prendeu seu cabelo, já em direção ao banheiro. Urinou o chá de maracujá que tomara antes de dormir. Tomava chá porque tinha medo da insônia, não dormir não é mais uma opção.

Indo para cozinha apagou as luzes da sala que permaneceram acessas durante a noite, sua mãe com medo de uma invasão fazia questão de deixá-las assim para que os ladrões pensem que tem gente acordada e atenta em casa. Preparou seu café e foi para o quarto toma-lo. Vestiu suas calças e o sutiã, abriu o guarda-roupa e se deparou com infinitas blusas, umas não lhes inspiravam, outras te deixavam gorda, algumas já não mais cabiam e sobravam aquelas que estavam muito usadas mas que não foram para o cesto de roupas sujas, evitando assustar sua mãe com muitas roupas para lavar. Optou por uma das que lhe deixavam gorda, com um casaco ninguém iria notar. No coração um desejo profundo de que não faça calor. Terminou seu café.

Faltavam os sapatos, pois a bolsa era a de sempre e já estava pronta. Precisava de um que a fizesse sentir bem, bonito e confortável. Sabia exatamente qual era, porém não o encontrava. A sua frente estavam somente seus preciosos belos sapatos que de tão desconfortáveis requeriam uma imaginação e abstração especial para desvirtuar da dor. Incontestavelmente eram lindos, mesmo que a sua maneira, mas há tempos marcavam os seus pés com calos irreversíveis. Despiu as prateleiras, olhou debaixo das mesas e cadeiras e pelos cantos dos quartos. Não o encontrou. Optou pela segunda opção de sapatos, escovou os dentes e ajeitou o cabelo, se maquiaria no caminho. No hall abrindo a porta viu parado e singelo seu desejado sapato, com um grande alivio o calçou e foi embora. 7h46. Estava atrasada.




São Paulo, 01/07/2010