sábado, 13 de abril de 2013

Corte de papel


Sentiu como se não fosse merecedora de nada. Não sabia exatamente o que estava merecendo para não se sentir digna o bastante, mas era como se seus lindos olhos verdes e sua sensibilidade transparente a tornasse singular perante aqueles diversos olhos comuns e sentimentos escondidos. No entanto passou horas, talvez minutos, ouvindo-o proferir aquelas palavras que a machucavam como um papel que corta inoportunamente o dedo, provocando uma pequena e incômoda ferida. Não havia pedido por aquilo, sua única exigência era que lhe poupassem os absurdos das inabilidades humanas em se relacionar. Era uma amiga, apenas isso ou tudo isso. Aceitara o papel de confidente e o fez com atenção e apreço, talvez seu maior erro era o de não ter feito o mesmo com o outro. Mas o que contar? Achou que já contava tudo, só que de outras formas. Mas sou tão óbvia, pensou. Talvez fosse de fato, óbvia e entediante, óbvia e desinteressante, obvia e simples como a certeza de que sempre estaria ali, independente de quão despercebida fosse.