terça-feira, 27 de agosto de 2013



Era poeira
Ardia o olho, interrompia a visão
Grudava nos cabelos
Não podia abrir a boca
Não podia respirar direito
Aquele vento de pedregulhos e sujeira interromperam a caminhada
Parou por um instante e se escondeu em um buraco
Esperou passar para retomar seu rumo
Dia e noite esperou passar
Às vezes achava que era uma questão de coragem
Saía do buraco e enfrentava o fenômeno
Não suportava, se arrependia e voltava
Às vezes achava que o buraco não era tão ruim
Tentava se acostumar, mas era escuro, apertado e sozinho
Definhou com o tempo
Anos depois, sua ossada foi descoberta por cientistas
Foi estudada, publicada, inspirou os jovens e seus poemas
Viajou o mundo com os mistérios da sua história
Com o tempo perderam o interesse para um tal de Tutankhamon
E foi esquecida em um museu qualquer
Guardada em um túmulo de vidro
Coberto de poeira

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

sem título

Tem gente que é como um vinho ruim.
Você toma o primeiro gole, detesta e promete que nunca mais.
Daí você olha, vê aquela taça cheia e se diz "pra quê desperdiçar, né?"
E você fica altinha, leve, com um pequeno sentimento de felicidade.
Ah essa pequena felicidade...
Você procura ela em uma garrafa inteira,
Mas tudo que encontra é uma embriaguez daquilo que poderia ter sido
E uma ressaca do que não foi.