5h20 da manhã tocava o despertador de João. Tinha 1 hora para se arrumar e ir ao ponto de ônibus, entrava no serviço as 8h em um prédio comercial onde trabalhava como recepcionista. Tomou banho, comeu e colocou seu uniforme. O dia era de sol e parecia anunciar um desconfortável calor que se seguiria por toda manhã e tarde. O ônibus estava cheio de joãos e marias que se amontoavam e cansados esperavam a chegada de seus destinos.
Na parada anterior ao ponto que João descia ele se levantou e se dirigiu a porta. Quando ela se abriu João ficou imóvel. O que aconteceria se não descesse? Se imaginou descendo no ponto seguinte e retornando a pé, ou então chegando no terminal e tomando outro ônibus para voltar. Diria que passou mal ao longo da noite e perdeu o horário. Ou faltaria e alegaria ter contraído alguma doença que o impossibilitasse de sair de casa como intoxicação alimentar, dengue, ou algo bastante contagioso. Poderia ir ao shopping. Poderia ligar para seu amigo Gustavo que estava desempregado no momento e ir a casa dele. Ou poderia, simplesmente, voltar para sua casa e dormir. Diria a sua mãe que esquecera de que era sua folga ou que sua linha de ônibus estava de greve. Não diria nada. Dormiria o resto da manhã e acordaria disposto para fazer o que a falta de tempo não lhe permitia. Organizaria seus games, leria uma revista, veria TV o dia inteiro. Depois procuraria outro emprego. Qual emprego? Não terminara a faculdade de análise de sistemas, logo com somente o ensino médio completo não havia muitas coisas que pudesse fazer.
A porta do ônibus fechou. Gritou "vai descer" e ela novamente se abriu. Desceu do ônibus e se dirigiu ao prédio comercial onde trabalhava como recepcionista.