quinta-feira, 31 de maio de 2012

Começo, meio e...

Nos conhecemos por acaso. Apresentado por um amigo com recomendações de que ele iria me fazer muito bem. Receosa como sou, não criei tantas expectativas. Nosso começo foi explosivo, estava sempre comigo e dialogávamos o tempo inteiro. Parecia que a cada dia eu aprendia mais e mais com ele. Dormir com ele era tão gostoso ao mesmo tempo que uma tortura. Me debatia com a minha obrigação de dormir e com o fato dele estar ali ao meu lado, tão próximo e distante ao mesmo tempo. E assim éramos nós nas primeiras semanas, companheiros inseparáveis e cúmplices.

Depois de um tempo tive que sumir e deixa-lo de lado. Não conseguia mais dar conta da nossa relação com tantos outros compromissos e afazeres que tinha. Era estranho não estar com ele, não saber mais das coisas que ele tinha para me contar e imaginar que havia uma vida acontecendo e eu sem tomar conhecimento dela.

Acalmada a vida voltamos a nos relacionar, mas já não era a mesma coisa. Algo estava diferente e as coisas pareciam confusas. Quem era ele e da onde vinham aquelas novas informações que me contava. Então era isso, depois de tudo que vivemos lá estávamos nós, juntos e sozinhos, tendo perdido a nossa sintonia.

Livro de 600 páginas, foi o tempo que nos matou.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Top 5: Coisas que você só tem vontade de fazer quando precisa estudar

1. Ler outros livros
Por algum motivo todas as outras leituras do mundo parecem muito mais interessantes quando você já tem uma leitura obrigatória. De repente bate no peito aquela vontade de ser uma pessoa intelectualizada e culta lendo o Kafka da sua mãe, coisa que você poderia ter feito nos últimos meses e não fez porque preferiu assistir seriado no notebook, com cobertas e pipoca.

2. Comer
Agora que seus papeis e canetas estão organizados na mesa, o notebook finalmente fechado e a luz adequada, bate aquela fome. E com uma explicação super sensata de "se eu estudar com fome vou ter dor de cabeça" você levanta e adia os estudos mais uma vez.

3. Só uma musiquinha
Você vai estudar e passar horas mergulhada em textos longos e cansativos, então por que não dar uma relaxadinha antes, só para estudar mais animada. É nesse momento que uma musiquinha de 4 minutos viram uma playlist de 1 hora.


4. Facebook
Você postou algo no seu mural, será que comentaram? Será que curtiram? Poxa, não custa nada dar uma conferida, coisa rápida. E lá se foi mais 1 hora curtindo, comentando e vendo vídeos no mural dos outros.

5. Passar um paninho nos móveis
Você ignora a bagunça do seu quarto há dias. Sua mãe já fez a louca, sua sinusite já deu indícios de que está para aparecer e você simplesmente não se importava até começar a ler aquele primeiro parágrafo incompreensível para um ser humano médio sem pós doutorado. Neste instante você corre para a área de serviço, pega um paninho e uma vassoura, volta para o quarto, dobra suas roupas, troca o saco do lixo, enfia objetos inúteis na gaveta de objetos inúteis e pronto! Depois de mais 1 hora de procrastinação e menos 1 hora de estudos você finalmente está pronta para mergulhar no mundo mágico do conhecimento.

Mas antes, uma passadinha no google para encher este post de figuras.

terça-feira, 8 de maio de 2012

"Ele poderia...

... ser um pouco mais alto", pensou Luciana enquanto caminhava em direção ao carro, um palio preto com um rapaz de cabelos curtos e castanhos encostado na porta dianteira.
- Oi, eu sou o Waldyr, primo da Laís.
- Oi Waldyr, eu sou a Luciana amiga de faculdade da Laís.
Se cumprimentaram com um beijo no rosto e ela foi em direção a porta do passageiro. Dentro do carro, com um clima meio desconfortável e sem assunto ela perguntou:
- Para onde vamos?
- Vou te levar para jantar. É uma cantina italiana lá no bexiga. Tem um ambiente gostoso e aconchegante, acho que você vai gostar.
          Luciana achou o nome dele estranho, nunca se imaginou vivendo em um relacionamento com um cara chamado Waldyr, mas ele fora atencioso em planejar o encontro e levá-la a um lugar que pudessem conversar ao invés de um lugar para ficarem bêbados e consequentemente cheios de tesão para algo mais. Durante o caminho ele fazia diversas perguntas, todas com o intuito de conhecê-la melhor. Ela respondia meio que automaticamente já que eram perguntas de praxe em entrevistas de emprego e em todos os encontros que participara. Estava cansada de tanto procurar um relacionamento. Não entendia a própria necessidade de querer estar com alguém, sempre admirara mulheres independentes e solteiras que se preocupam consigo mesmas e suas carreiras. Na maior parte do tempo não se incomodava em ser solteira, mas haviam duas ocasiões em que queria poder segurar um homem pelo braço e chamá-lo de "meu bem", mesmo que ninguém use de fato essa expressão, nas confraternizações familiares e nos domingos de ressaca. Em festas de família, por mais que não se incomodasse e ter suas primas e seus respectivos namorados por perto, odiava quando as pessoas perguntavam se estava namorando alguém, "e aí Lu? Algum namoradinho?" Não! Nenhum namoradinho, nunca houve e talvez não haja por um bom tempo. Pelo olhar das pessoas podia imaginar o que elas pensavam quando respondia negativamente. Deviam achá-la estranha ou uma lésbica enrustida. Dane-se! Não era da conta de ninguém achar nada.
          Já no restaurante Waldyr fazia perguntas e perguntas e após ouvir as respostas a enchia de elogios e mais perguntas.
- Você é muito madura. Por que acha que é tão madura?
Ai Waldyr... você é errado e não só no nome, pensava a cada elogio descontextualizado que ele fazia. Ela sabia exatamente o que estava acontecendo, ele estava mentindo e tentando seduzi-la mas como sempre não entendia  porque. Seu lado esperançoso e crente nas boas intenções humanas achava que aquela atitude forçada dele para conquistá-la era o desespero que as pessoas tinham de ficarem sozinhas, mas seu lado duro, pelas desilusões da vida, achava que ele só queria levá-la para cama.  Não podia culpá-lo, afinal de contas o segundo momento em que desejava ter um namorado eram nas suas tardes de domingo. A ressaca física e moral da balada de sábado a deixava se sentindo carente, odiava pensar que somente um homem poderia tirá-la daquela situação, no fundo sabia que não era verdade e que ele não seria a solução para os seus problemas, mas naquele momento era a única solução que vinha em sua mente.
- Lu, você quer sobremesa?
Imaginou que não seria muito abusivo de sua parte pedir a sobremesa, Waldyr disse que trabalhava como analista de alguma coisa em algum banco e isso pareceu algo que pagava bem. Mas estava cansada e queria ir embora logo, não se encantou pelo rapaz e também não se impressionou pela imagem que ele refletia dela em seus elogios.
- Nossa, estou cheia. A comida estava ótima, não sei nem se vou conseguir passar pela porta.
Riram.
- Ok, mas o que vamos fazer agora? O que você quer fazer Lu?
- Não sei, acho melhor você me deixar em casa. Tenho que acordar cedo amanhã.
- Mas amanhã é domingo!
- Sim, mas é que eu estou atrasada nas leituras da faculdade, preciso colocá-las em dia antes das provas.
- Entendi. Poxa, queria ficar mais com você. Adorei o seu papo.
- Eu também. A gente marca outro dia.
- Marcaremos. Não vai sumir hein.
Por que ele estava fazendo isso? Não entendia porque ele estava agindo como se fosse muito importante que eles saíssem de novo. Haviam acabado de se conhecer e um sobreviveria perfeitamente bem sem o outro. Pessoas e seus medos de ficarem sozinhas, concluiu.
- Tchau.
- Tchau!
          Abriu o portão, mas somente quando fechou a porta do prédio que ouviu o carro sair. Em casa tomou banho, colocou o pijama e ligou o computador. Era sábado e só tinha depressivos e adolescentes online. Enquanto baixava episódios novos de seus seriado favoritos recebeu uma mensagem de celular. "Chegou bem?" Deduziu que Waldyr já sabia a resposta e apertou o play de um episódio que baixara antes de sair de casa.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ler e ler, só que não...

Primeiro organizou sua mesa de estudos. Empilhou os textos que leria em ordem de prioridade, separou seu caderno de rascunho e arrumou lado a lado sua caneta, lapiseira e marca texto. A partir de agora e durante as próximas 4 horas seguidas assimilaria o máximo de conhecimento possível e se tornaria uma pessoa melhor, ou seja, mais inteligente e sensata. Antes de começar pensou "vou só olhar minhas redes sociais rapidinho antes dessa imersão intelectual, coisa de 5 minutos". 4 horas se passaram. Olhou para os textos, olhou para o notebook e pensou "acho que vou ver um filme na TV". Apagou a luz do quarto e deixou para traz a promessa de produtividade que não havia cumprido.

Sobrevivência