segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Tchau 2013

Resumindo o ano, eu aprendi que se a vida te der limões, faça uma limonada. E se eles vierem super azedos, faça uma limonada com bastante açúcar. E se isso te der diabetes, o que é perder uma perna, se você
tem duas?



The magic button — Make Everything OK

domingo, 13 de outubro de 2013

Ilusão de ótica

Engraçado que gente pequena sempre parece tão grande se vista de uma longa distância.

domingo, 6 de outubro de 2013

Meditação



Eu quero que o tempo pare por um instante.


Que as luzes vermelhas dos veículos no trânsito não me ceguem, que a fumaça dos ônibus não invadam os meus pulmões enquanto espero por longos minutos no ponto, que as pessoas nas filas não monopolizem os meus ouvidos com seus problemas triviais tão semelhantes aos meus, que o meu celular pare de apitar com mensagens de pessoas solicitando a minha presença emocional na vida delas, que a minha memória pare de me boicotar com coisas que eu quero esquecer e que os meus sonhos não sejam uma impressão confusa das partes negativas do meu dia-a-dia.

domingo, 29 de setembro de 2013

Isso é água

No vídeo abaixo o escritor e ensaísta David Foster Wallace (1962-2008) discursou para formandos da Universidade de Kenyon, em 2005, sobre como seria a vida deles de agora em diante. Ou seja, os desafios de ser adulto e enfrentar a muitas vezes entediante rotina do dia-a-dia.



“O que é água?”
Wallace morreu em 2008, antes da tecnologia mobile e das mais diversas redes sociais invadirem nossas vidas e se tornar parte delas tanto quanto respirar ou comer. Por causa disso, estamos cada vez mais distantes de saber o que é a água, isto porque nos momentos entediantes da nossa rotina, como esperar pelo ônibus, ficar parado na fila do supermercado, ou vendo fotos de revistas com famosos na sala de espera de um consultório médico, não estamos mais necessariamente sozinhos, estamos conectados com os nossos amigos e com o mundo, através de nosso celular ou tablet. Quando Wallace diz para usar aquele tempo entediante na fila do supermercado para “tomar uma decisão consciente sobre como pensar e em que prestar atenção, senão você vai ficar frustrado e arrasado toda vez que tiver de ir às compras”, hoje conseguimos escapar dessa situação, não precisamos mais usar esse tempo para pensar e nem temos que ficar entediados na fila, pegamos o nosso celular e é como se toda a nossa rede de amigo estivesse na fila com a gente. E está. Você pode desabafar para um colega no whatsapp ou no status do facebook sobre o quão entediante é a fila, se o rapaz na sua frente estiver com o cofrinho aparecendo você pode tirar uma foto e enviar para os seus amigos rirem com você. Não estamos mais sozinhos na nossa vida rotineira e isso é um problema. Deixamos de prestar atenção nas coisas ao nosso redor e ficamos cada vez mais inseridos na nossa bolha e isso nos desumaniza de alguma forma. Frequentamos lugares cheios de pessoas e não reparamos em nenhum rosto, então elas deixam de serem realmente pessoas para nós e se tornam meros figurantes nas nossas vida. Por isso não importa muito quando compartilhamos a foto do cofrinho do cara da fila, não só com nossos amigos, mas nas redes sociais, porque não conhecemos aquela pessoa, não pensamos sobre ela e a vida que ela pode viver, ela é um acessório de cena, em um mundo que só existe para nós mesmos. Por isso não fazemos ideia do que seja água. Assim como no oceano, vivemos em uma coexistência de organismos responsáveis pela ordem das coisas. Para um peixe poder existir enquanto peixe ele precisa que a cadeia alimentar a que ele pertence funcione, que a temperatura da água seja a apropriada para que ele se reproduza e se oriente, e que a corrente dessa água o leve sempre para os mesmos lugares que seus acestrais iam para acasalar, reproduzir e sobreviver. A aproximação que a tecnologia nos proporcionou ao mesmo tempo nos distanciou, não uns dos outros, mas de nós mesmos. O momento em que Wallace traça uma possível vida da senhora gordinha com o filho no caixa do supermercado ele não está se aproximando dela, não se trata de conhecê-la melhor, porque afinal de contas ele está supondo sobre a vida que ela leva, mas ao fazer isso ele está se aproximando de si mesmo, da sua capacidade de se sensibilizar com o outro, de se atentar a própria fragilidade e como isso pode estar presente em um desconhecido.

domingo, 22 de setembro de 2013

Geração "why"...

Tenho lido muitas coisas sobre a minha geração Y, sobre como nos achamos muito mais especiais do que realmente somos e por isso queremos conquistar o sucesso e o reconhecimento mais do que imediatamente. Ao mesmo tempo em que me sinto acolhida nessa multidão de semelhantes, me sinto também ainda mais perdida sobre o percurso de vida que devo seguir. Não sei se foram os três anos que cursei de economia, mas a minha mente acredita que é preciso ter um plano de carreira e com a crescente crise do jornalismo (ou a transformação do jornalismo como conhecemos) me vejo no meu velho paradigma: dinheiro X felicidade. Já escolhi a felicidade uma vez quando decidi abandonar minha graduação na pomposa ciências econômicas para começar jornalismo, mas talvez tomar uma decisão como essa aos 26 anos seja imensamente diferente do que aos 23 e pode ser por isso que ao invés de decidir eu me encontro parada, congelada e amortecida nessa encruzilhada. Fico tentando me dizer que não existe essa tomada de decisão, não preciso escolher entre ser jornalista ou assessora de imprensa e que eu estou em um barco em alto mar, que em algum momento avistarei a terra e vai ficar tudo bem. O problema é que os suprimentos estão acabando, os dias cada vez mais quentes e as noites cada vez mais frias. Acho que o que me resta é rezar, mas sou ateia. 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

sem título

Se reinventa
Novas roupas, cabelos e desavenças
Venta
Se reinventa
Novos sonhos, projetos e lamentos
Venta
Se reinventa
Novos amigos, vícios e dilemas
Venta

Se reinv...

domingo, 1 de setembro de 2013

Relacionamentos

Um cara vai ao psiquiatra e diz "doutor, meu irmão é louco. Ele acha que é uma galinha". Então o doutor diz "mas por que você não convence ele do contrário?". O cara responde "sim, mas eu preciso dos ovos". É basicamente o que eu acho de relacionamentos. São totalmente irracionais, loucos e absurdos, mas continuamos neles porque a maioria de nós precisa dos ovos. — Noivo neurótico, noiva nervosa (Woody Allen)



terça-feira, 27 de agosto de 2013



Era poeira
Ardia o olho, interrompia a visão
Grudava nos cabelos
Não podia abrir a boca
Não podia respirar direito
Aquele vento de pedregulhos e sujeira interromperam a caminhada
Parou por um instante e se escondeu em um buraco
Esperou passar para retomar seu rumo
Dia e noite esperou passar
Às vezes achava que era uma questão de coragem
Saía do buraco e enfrentava o fenômeno
Não suportava, se arrependia e voltava
Às vezes achava que o buraco não era tão ruim
Tentava se acostumar, mas era escuro, apertado e sozinho
Definhou com o tempo
Anos depois, sua ossada foi descoberta por cientistas
Foi estudada, publicada, inspirou os jovens e seus poemas
Viajou o mundo com os mistérios da sua história
Com o tempo perderam o interesse para um tal de Tutankhamon
E foi esquecida em um museu qualquer
Guardada em um túmulo de vidro
Coberto de poeira

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

sem título

Tem gente que é como um vinho ruim.
Você toma o primeiro gole, detesta e promete que nunca mais.
Daí você olha, vê aquela taça cheia e se diz "pra quê desperdiçar, né?"
E você fica altinha, leve, com um pequeno sentimento de felicidade.
Ah essa pequena felicidade...
Você procura ela em uma garrafa inteira,
Mas tudo que encontra é uma embriaguez daquilo que poderia ter sido
E uma ressaca do que não foi.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

sem título

Era um texto muito engraçado,
não tinha fonte, não tinha dado.
Ninguém podia ler ele não,
porque o conteúdo não era bom.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O meu amor que quero

Não quero o meu amor transgênico. 
Eu não quero a maçã mais bonita do cesto. 
Eu não quero aquela arredondada, de cores vibrantes, de tamanho generoso e que vai durar mais tempo junto com as outras frutas da cozinha. 
Eu quero aquela maçã mirrada e opaca,
Aquela escurecida no canto porque já não é tão fresca. 
Eu quero aquela que fica abandonada no meio fio ao final da feira.
A que vai alimentar o pedinte e não enfeitar o centro da mesa de uma cozinha. 
O que eu quero é, apenas, a maçã mais saborosa do cesto. 
Eu quero aquela que o doce se apropria da minha saliva, que me encanta e me alegra,
E que me enjoa e amarga, mas que é saudável e me faz bem.
Eu quero o meu amor orgânico.

sábado, 13 de abril de 2013

Corte de papel


Sentiu como se não fosse merecedora de nada. Não sabia exatamente o que estava merecendo para não se sentir digna o bastante, mas era como se seus lindos olhos verdes e sua sensibilidade transparente a tornasse singular perante aqueles diversos olhos comuns e sentimentos escondidos. No entanto passou horas, talvez minutos, ouvindo-o proferir aquelas palavras que a machucavam como um papel que corta inoportunamente o dedo, provocando uma pequena e incômoda ferida. Não havia pedido por aquilo, sua única exigência era que lhe poupassem os absurdos das inabilidades humanas em se relacionar. Era uma amiga, apenas isso ou tudo isso. Aceitara o papel de confidente e o fez com atenção e apreço, talvez seu maior erro era o de não ter feito o mesmo com o outro. Mas o que contar? Achou que já contava tudo, só que de outras formas. Mas sou tão óbvia, pensou. Talvez fosse de fato, óbvia e entediante, óbvia e desinteressante, obvia e simples como a certeza de que sempre estaria ali, independente de quão despercebida fosse. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Nesta terra de gigantes...

“Nesta terra de gigantes onde se trocam vidas por diamantes”, era o que dizia uma frase pichada na rua da casa noturna Kiss em Santa Maria/RS. A frase da música dos Engenheiros do Havaí expressa exatamente o que significou a tragédia que deixou 238 mortos e 81 internados em hospitais, pelo menos até o momento deste 
post.

Tive a oportunidade de fazer parte da equipe de comunicação de um grupo de voluntários que se deslocaram para a cidade levando profissionais psicólogos especializados em crises. Participei de reuniões com as autoridades da cidade, visitei a casa noturna e o ginásio que foi usado como um IML improvisado para a triagem dos corpos e conversei com os colegas que fiz na região sobre como eles tinha sido afetados pelo chamado “sinistro”. Quem perdeu alguém na tragédia, não perdeu apenas uma pessoa, que já seria muito, mas perdeu no plural amigos, conhecidos, filhos de conhecidos e pessoas que lembravam só de rosto, já que Santa Maria é uma cidade pequena, com um pouco mais de 260 mil habitantes.

Eu queria passar tudo que vi e vivi nesta viagem, mas me sinto injusta em explorar as tragédias da histórias que conheci, acho que a grande mídia já fez isso ao nos mostrar o rosto de cada jovem que se foi, quem eram, o que faziam, com quais outras vítimas se relacionavam. Se eu tivesse que traduzir a minha experiência, a traduziria em flor. Em frente a Kiss haviam centenas, talvez milhares delas, pequenos pedaços de vida breve e perfume que hipnóticamente me fizeram mensurar o que havia acabado de acontecer. 

Mas não são só esses números gritantes de vítimas diretas e indiretas que chocaram o país, mas foi lembrar que todos os dias quando saímos de casa, nós colocamos nossas vidas em risco e nossos amados também. Não me refiro ao clichê de que podemos a qualquer momento ser atropelados por um ônibus, mas ao fato que diante de um país de visível e bem sabida corrupção, é difícil saber se os ambientes que frequentamos são de fato seguros. Saber que a casa noturna que você tanto frequenta naquela rua movimentada, conhecida e visível a todos não possui as condições de segurança necessárias que os documento legais que recebeu da prefeitura lhe garante ter.

Não quero parecer dramática, mas apesar dos semáforos e das faixas de pedestres, nós vivemos em um grande caos, dentro de um contrato social% que não é cumprido. Espero que a tragédia em Santa Maria não tenha sido em vão e que nosso sono seja perturbado pelo anseio proativo de combate a corrupção, porque não é só reavaliar os alvarás das casas noturnas do país, mas reavaliar e transformar comportamentos. O que nos resta agora é esperar que esses desejos não cessem junto com a perda de interesse da grande mídia pelo assunto, que nossa atual simpatia pela dor e desejo de justiça não sejam uma moda passageira  do Sensacionalismo Fashion Week.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Viu os sapatos pela fresta da porta

Sabia da importância que tinha para as pessoas que estavam ali. Sabia que a maturidade para fazer a inversão de papeis precisava chegar logo. Talvez ela já estivesse dentro de seus pensamentos, mas longe de seus hábitos. Perceber a fragilidade daqueles que até então tinham como funções o cuidar e proteger era algo doloroso e assustador demais para aceitar. Se isolou em seu quarto, em seu mundo e em seus amigos transeuntes da vida, não para se esconder, mas para não ver aquilo que já estava tão próximo e nítido. Precisava ser a adulta, mas não podia. Não queria.

Um buraco vazio no meu peito

Ei você,

Você que me ligava para contar uma novidade ou me chamar pra sair. Você que atendia as minhas chamadas a cobrar e ficava muitos minutos conversando besteiras comigo durante o trajeto do ônibus. Você que enxugava as minhas lágrimas quando eu não conseguia mais contê-las. Você que sempre enchi meu peito para chamar de amigo. Cade você? Não é só a saudade de te precisar e não te ter a disposição, mas é essa desconfiança de que você não precisa mais de mim é que me corrói a cada dia. Só quero que saiba que não nos tornamos tão diferentes assim. Ou nos tornamos? E que o meu colo é grande e o meu peito maior ainda para você caber nele. Ou meu colo é pequeno e o meu peito é apertado lhe causando desconforto?

Eu não sei, mas sei que tem um buraco vazio no meu peito e que vai permanecer vazio até você preenchê-lo novamente.