terça-feira, 9 de julho de 2013

O meu amor que quero

Não quero o meu amor transgênico. 
Eu não quero a maçã mais bonita do cesto. 
Eu não quero aquela arredondada, de cores vibrantes, de tamanho generoso e que vai durar mais tempo junto com as outras frutas da cozinha. 
Eu quero aquela maçã mirrada e opaca,
Aquela escurecida no canto porque já não é tão fresca. 
Eu quero aquela que fica abandonada no meio fio ao final da feira.
A que vai alimentar o pedinte e não enfeitar o centro da mesa de uma cozinha. 
O que eu quero é, apenas, a maçã mais saborosa do cesto. 
Eu quero aquela que o doce se apropria da minha saliva, que me encanta e me alegra,
E que me enjoa e amarga, mas que é saudável e me faz bem.
Eu quero o meu amor orgânico.

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