domingo, 29 de setembro de 2013

Isso é água

No vídeo abaixo o escritor e ensaísta David Foster Wallace (1962-2008) discursou para formandos da Universidade de Kenyon, em 2005, sobre como seria a vida deles de agora em diante. Ou seja, os desafios de ser adulto e enfrentar a muitas vezes entediante rotina do dia-a-dia.



“O que é água?”
Wallace morreu em 2008, antes da tecnologia mobile e das mais diversas redes sociais invadirem nossas vidas e se tornar parte delas tanto quanto respirar ou comer. Por causa disso, estamos cada vez mais distantes de saber o que é a água, isto porque nos momentos entediantes da nossa rotina, como esperar pelo ônibus, ficar parado na fila do supermercado, ou vendo fotos de revistas com famosos na sala de espera de um consultório médico, não estamos mais necessariamente sozinhos, estamos conectados com os nossos amigos e com o mundo, através de nosso celular ou tablet. Quando Wallace diz para usar aquele tempo entediante na fila do supermercado para “tomar uma decisão consciente sobre como pensar e em que prestar atenção, senão você vai ficar frustrado e arrasado toda vez que tiver de ir às compras”, hoje conseguimos escapar dessa situação, não precisamos mais usar esse tempo para pensar e nem temos que ficar entediados na fila, pegamos o nosso celular e é como se toda a nossa rede de amigo estivesse na fila com a gente. E está. Você pode desabafar para um colega no whatsapp ou no status do facebook sobre o quão entediante é a fila, se o rapaz na sua frente estiver com o cofrinho aparecendo você pode tirar uma foto e enviar para os seus amigos rirem com você. Não estamos mais sozinhos na nossa vida rotineira e isso é um problema. Deixamos de prestar atenção nas coisas ao nosso redor e ficamos cada vez mais inseridos na nossa bolha e isso nos desumaniza de alguma forma. Frequentamos lugares cheios de pessoas e não reparamos em nenhum rosto, então elas deixam de serem realmente pessoas para nós e se tornam meros figurantes nas nossas vida. Por isso não importa muito quando compartilhamos a foto do cofrinho do cara da fila, não só com nossos amigos, mas nas redes sociais, porque não conhecemos aquela pessoa, não pensamos sobre ela e a vida que ela pode viver, ela é um acessório de cena, em um mundo que só existe para nós mesmos. Por isso não fazemos ideia do que seja água. Assim como no oceano, vivemos em uma coexistência de organismos responsáveis pela ordem das coisas. Para um peixe poder existir enquanto peixe ele precisa que a cadeia alimentar a que ele pertence funcione, que a temperatura da água seja a apropriada para que ele se reproduza e se oriente, e que a corrente dessa água o leve sempre para os mesmos lugares que seus acestrais iam para acasalar, reproduzir e sobreviver. A aproximação que a tecnologia nos proporcionou ao mesmo tempo nos distanciou, não uns dos outros, mas de nós mesmos. O momento em que Wallace traça uma possível vida da senhora gordinha com o filho no caixa do supermercado ele não está se aproximando dela, não se trata de conhecê-la melhor, porque afinal de contas ele está supondo sobre a vida que ela leva, mas ao fazer isso ele está se aproximando de si mesmo, da sua capacidade de se sensibilizar com o outro, de se atentar a própria fragilidade e como isso pode estar presente em um desconhecido.

domingo, 22 de setembro de 2013

Geração "why"...

Tenho lido muitas coisas sobre a minha geração Y, sobre como nos achamos muito mais especiais do que realmente somos e por isso queremos conquistar o sucesso e o reconhecimento mais do que imediatamente. Ao mesmo tempo em que me sinto acolhida nessa multidão de semelhantes, me sinto também ainda mais perdida sobre o percurso de vida que devo seguir. Não sei se foram os três anos que cursei de economia, mas a minha mente acredita que é preciso ter um plano de carreira e com a crescente crise do jornalismo (ou a transformação do jornalismo como conhecemos) me vejo no meu velho paradigma: dinheiro X felicidade. Já escolhi a felicidade uma vez quando decidi abandonar minha graduação na pomposa ciências econômicas para começar jornalismo, mas talvez tomar uma decisão como essa aos 26 anos seja imensamente diferente do que aos 23 e pode ser por isso que ao invés de decidir eu me encontro parada, congelada e amortecida nessa encruzilhada. Fico tentando me dizer que não existe essa tomada de decisão, não preciso escolher entre ser jornalista ou assessora de imprensa e que eu estou em um barco em alto mar, que em algum momento avistarei a terra e vai ficar tudo bem. O problema é que os suprimentos estão acabando, os dias cada vez mais quentes e as noites cada vez mais frias. Acho que o que me resta é rezar, mas sou ateia. 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

sem título

Se reinventa
Novas roupas, cabelos e desavenças
Venta
Se reinventa
Novos sonhos, projetos e lamentos
Venta
Se reinventa
Novos amigos, vícios e dilemas
Venta

Se reinv...

domingo, 1 de setembro de 2013

Relacionamentos

Um cara vai ao psiquiatra e diz "doutor, meu irmão é louco. Ele acha que é uma galinha". Então o doutor diz "mas por que você não convence ele do contrário?". O cara responde "sim, mas eu preciso dos ovos". É basicamente o que eu acho de relacionamentos. São totalmente irracionais, loucos e absurdos, mas continuamos neles porque a maioria de nós precisa dos ovos. — Noivo neurótico, noiva nervosa (Woody Allen)