Tenho lido muitas coisas sobre a minha geração Y, sobre como
nos achamos muito mais especiais do que realmente somos e por isso queremos
conquistar o sucesso e o reconhecimento mais do que imediatamente. Ao mesmo
tempo em que me sinto acolhida nessa multidão de semelhantes, me sinto também
ainda mais perdida sobre o percurso de vida que devo seguir. Não sei se foram
os três anos que cursei de economia, mas a minha mente acredita que é preciso
ter um plano de carreira e com a crescente crise do jornalismo (ou a
transformação do jornalismo como conhecemos) me vejo no meu velho paradigma: dinheiro
X felicidade. Já escolhi a felicidade uma vez quando decidi abandonar minha
graduação na pomposa ciências econômicas para começar jornalismo, mas talvez
tomar uma decisão como essa aos 26 anos seja imensamente diferente do que aos
23 e pode ser por isso que ao invés de decidir eu me encontro parada, congelada
e amortecida nessa encruzilhada. Fico tentando me dizer que não existe essa
tomada de decisão, não preciso escolher entre ser jornalista ou assessora de
imprensa e que eu estou em um barco em alto mar, que em algum momento avistarei
a terra e vai ficar tudo bem. O problema é que os suprimentos estão acabando,
os dias cada vez mais quentes e as noites cada vez mais frias. Acho que o que
me resta é rezar, mas sou ateia.
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