domingo, 14 de outubro de 2012
O interruptor
Eram 2 horas da manhã e estavam simplesmente acabados. Ficaram desde cedo cumprindo compromissos de casal jovem. Festa de 1 ano da filhinha do amigo, almoço de aniversário do cunhado, compra de enxoval do afilhado que vai nascer e ida ao show de um dos últimos amigos solteiros, um enciumado que sempre se sente deixado de lado pelos casais. Moravam juntos há 4 meses e já sentiam falta de viver seus dias sozinhos. Não é que não queriam estar juntos, era ótimo dormir todos os dias ao lado de quem gosta, dividir as tarefas domésticas, planejar a compra de novos móveis e ser dono de seus próprios lençóis, mas os fins de semana estavam cansativos demais. Antes, se necessário, cada um tinha a liberdade de programar os seus afazeres e faltar no do outro, mas com a junção das vidas, tudo se mesclou de vez. Parece inconcebível para a tia avó de 73 anos que o marido de sua neta não compareça ao seu aniversário porque ele teve um churrasco de outro aniversário de um amigo para ir. Eles são um item agora e todos esperam alguma coisa. Agora, em casa, ela escovava os dentes na suíte e ele, deitado na cama, procurava alguma coisa na TV. Gostavam de saber que o outro estava ali. Ela deitou na cama e ambos ficaram em silêncio, na expectativa de um canal decente. Ele cacabou tomando a iniciativa de desistir de procurar, desligou a TV e virou para o lado, olhando para ela. E agora ambos pensavam "quem vai levantar e apagar a luz?". Não transavam há 3 semanas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário