Há um tempo atrás eu tive a oportunidade de conviver com homossexuais presos em uma armário, que viviam em uma sociedade que não lhes dava a opção de ser quem eles eram. Assistir o filme Contracorrente me trouxe um sentimento daquela época: a impaciência. Felizmente meu maior segredo é comer doces quando digo para as pessoas que estou de dieta, mas eu fico me perguntando como é a vida de alguém que é gay e não tem pessoas ao seu redor que sejam tolerantes a isso.
Ninguém presta muita atenção na vida pessoal e sexual das pessoas, com quem elas namoram ou transam, até que essas pessoas sejam do mesmo sexo, então uma placa gigante aparece piscando: GAY! Você gosta de alguém, ama, confia até que um detalhe que nem é relevante na relação de vocês aparece e o sentimento muda, simples assim?
Eu ficava impaciente porque eu não consigo entender como as pessoas conseguem se reprimir tanto para obter a aprovação de outras que são ignorantes a ponto de virar as costas para elas, sendo então não merecedoras de tal poder. Hoje eu consigo entender e eu respeito essas pessoas. Porque elas conseguem viver uma vida de violência velada, onde o preconceito e as ofensas não são intencional, mas existem e estão ali e é preciso engolir e fingir que nada aconteceu, ou pior, dar uma opinião que não é sua. Eu vi que não tenho o direito de ser impaciente porque não sou eu que sinto isso na pele. Mas um dia isso vai mudar. Tem que mudar.
Vamos lá humanidade, caminha.
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