domingo, 10 de julho de 2011

Diário de um menino

Eu acho que escrevi isso na 7ª ou 8ª série. Nem anotei data. Minha mãe coruja que guardou um recorte impresso no seu caderno de "notícias importantes de nosso tempo para mostrar aos meus netos". Fofa. Na época eu acreditava que poemas tinham que rimar. E eu sei que tem umas coisas desalinhas entre si. Mas enfim...


Era uma vez um menino
Com fome e com frio
Com um coração fraco e vazio
Sem pai e sem mãe
Morando na beira do rio

Olhando para trás buscando a esperança
Mas o jornal que o cobria vinha cheio de matança
E também sobre mais um roubo do governo,
Uma CPI cancelada,
Mas nada de verba e emprego

Cheirando cola e deitado na escada
Conheceu o amigo crack
Era um menino de rua abortado pela sociedade
Sem ao menos ter uma oportunidade

Esperando pela boa vontade do tiozinho do bar
Resolveu começar a roubar
Roubava comida,
Roubava carteira,
Roubava idoso e criança,
Rico e pobre,
Preto e branco,
Roubava atenção

"Um dia tava de bebedeira na esquina,
foi aí que fodeu!
Chegô os hômi e prendeu eu
Lá na DP o pau cumeu
Os polícia só me bateu
E aqui tô eu, dotô...
Aqui tô eu!"

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