Era uma vez um menino
Com fome e com frio
Com um coração fraco e vazio
Sem pai e sem mãe
Morando na beira do rio
Olhando para trás buscando a esperança
Mas o jornal que o cobria vinha cheio de matança
E também sobre mais um roubo do governo,
Uma CPI cancelada,
Mas nada de verba e emprego
Cheirando cola e deitado na escada
Conheceu o amigo crack
Era um menino de rua abortado pela sociedade
Sem ao menos ter uma oportunidade
Esperando pela boa vontade do tiozinho do bar
Resolveu começar a roubar
Roubava comida,
Roubava carteira,
Roubava idoso e criança,
Rico e pobre,
Preto e branco,
Roubava atenção
"Um dia tava de bebedeira na esquina,
foi aí que fodeu!
Chegô os hômi e prendeu eu
Lá na DP o pau cumeu
Os polícia só me bateu
E aqui tô eu, dotô...
Aqui tô eu!"
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